terça-feira, 1 de março de 2011

Era noite de natal. Quase em todos os contos de natal é noite de natal. Curiosamente neste também. Uma chuva fria teimava em cair, como que a dizer: «então esta pluviosidade? A natureza tem fenómenos giros»  
A cidade estava já quase deserta e era impossível que qualquer pessoa, por mais insensível que fosse, não olhasse para os ruas vazias, as luzes a bruxulear, e as montras todas enfeitadas e não pensasse para si: «que boa altura para fazer um assalto!» Pensando bem, não se compreende como é que os nossos meliantes não aproveitam mais a noite de 24 de Dezembro para furtar viaturas e domicílios. É apenas uma dica de Natal que eu aqui deixo.
Na rua, havia apenas algumas pessoas que se apressavam, felizes, para chegar a casa tempo da ceia de Natal, e outras que pareciam não ter para onde ir, pois tinham todo a ar de serem indivíduos desagradáveis de quem ninguém gosta. Devia haver um sítio onde todas as pessoas desagradáveis pudessem passar a consoada. Um grande pavilhão com mesas corridas, em que estas pessoas se pudessem reunir e fazer comentários acintosos umas sobre as outras. Haveria um porteiro que perguntaria a quem chegasse:
-É uma pessoa desagradável?
-Sou, sim
-Mas é mesmo?
-Fo%@!&se  Ca$#%&@lho,  já disse que sim!
-Então pode entrar
-obrigado, mas olhe que a temperatura da sala podia estar dois ou três graus a cima, e parece-me que as postas de bacalhau são muito fininhas.
Indiferente a tudo isto Carlos dirigia-se a casa com alguns sacos de compras na mão. Foi quando dobrou a esquina que se deparou com um vagabundo sentado num vão de escada. Carlos pensou: «Um vagabundo a pedir esmola na noite de natal, será que estou num conto de natal? Não me dava jeito nenhum porque estou com presa.»
-Uma esmola  para um pobre velho - pediu o vagabundo quando a Carlos se aproximou. Carlos levou a mão ao bolso e estendeu uma nota de 20 euros.
-O dinheiro é uma oferta simpática – disse o vagabundo – Mas… e o calor humano, jovem?
-Não vou querer, obrigado. Sabe, eu tenho namorada.
-Não é isso. Podes convidar-me para cear em tua casa?
Carlos olhou para o velho e teve pena. Teve pena de não ir mais vezes ao ginásio, porque se estivesse em melhor forma física já teria largado a correr dali para fora. Ainda assim achou que corria mais que o vagabundo e aceitou convida-lo para cear em sua casa. Assim que dobrasse a esquina desataria a correr e se não tropeçasse nos sacos o velho nunca mais o apanharia.
No entanto, assim que Carlos o convidou para a consoada o vagabundo ergueu-se, retirou a túnica e, flutuando no ar, disse:
-Ops… Tive uma tontura. Deve ter sido de me levantar tão rápido. Uma quebra de tensão, ou assim.
E depois disse:
-Já estou melhor. Sou o teu salvador. Aquele que tu ajudas-te é, na verdade, o Messias.
-Ah, está boa. Bom então muito prazer. Boa noite.
-calma bom homem. Não vás embora. Vou recompensar-te. Pede-me qualquer coisa. Terás tudo o que quiseres. Que desejas?
-humm…Não estou a ver. Comprei a semana passada uns ténis e agora não há nada que eu queira. Adeus, boa noite.
-Espera aí, bom homem. Chega de modéstia. O que é que vai ser? Jóias? Carros de luxo? Um palácio? Um fantástico computador para poderes ver o Hi5 do Rosa negra? Vamos, pede o que quiseres. Fizeste uma boa acção na noite e Natal e mereces tudo o que pedires ao teu senhor.
-Ah. Bom. Sabe é que eu sou Ateu. Ou seja, não leves a mal, mas… como é que hei-de dizer isto?... a verdade é que não acredito em si. Pronto, boa noite.
-Mau, mas o que é isto? Não acreditas em mim? Então apareço-te na noite de Natal, faço o  truque de me fazer passar por um vagabundo, flutuo no ar… o que queres mais, pá?
-Não, isso está bonito. Eu é que não aprecio muito magia (só com cartas). São feitios.
E foi então que o messias perdeu a paciência e deu uma carda de pancada bíblica em Carlos. Primeiro deu-lhe um chuto nos rins, e depois, assentou-lhe dois socos no queixo. A seguir, praguejou umas coisas em Hebraico e foi-se embora. Carlos caiu e, por momentos, o fiozinho de sangue que lhe escoria da boca, a caminho da sarjeta, tomou a forma de uma estrela que, sobre a calçada ficou a brilhar.
Era noite de Natal!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Warning!

... (2)

Saudações, pessoa aleatória! Se não for um idiota ignorante, deve ter reparado que o blogue não foi actualizado recentemente. No entanto, tenciono, ou melhor, tencionamos, restaurá-lo à sua antiga glória. Como gesto de amizade, porei uma nova hilariante (note-se que enquanto escrevo isto rio-me de forma sarcástica) imagem. Como favor, peço que comentem este post, porque eu quero saber quantas pessoas sem vida lêem esta... abominação.

P.S: Se se está a interrogar sobre a falta de humor na mensagem, a minha desculpa é "Esta mensagem é um acto oficial e deve ser levada a sério". Na verdade, eu sou apenas preguiçoso.